sexta-feira, 10 de setembro de 2010

DEVANEIO nº 21: É isso aí!

A GRANDE INVERSÃO - Daniel Aarão
Publicado em O Globo em 7 / 09/ 2010


A disparada de Dilma Rousseff nas pesquisas de opinião pública tem suscitado interpretações diversas.
Duas constatações mobilizam os comentaristas: a primeira é a popularidade do governo, atingindo patamares de quase unanimidade, se computados como favoráveis os que avaliam o desempenho de Lula como ótimo, bom ou regular. Depois de oito anos, trata-se de algo raro.
A segunda constatação é a capacidade de transferência de votos do presidente. Também não é algo comum.
O comum é o inverso. Líderes de expressão nem sempre conseguem “fazer” os sucessores. Isto se deve, em parte, à vontade deles mesmos, por medo que os herdeiros possam obscurecer sua liderança, apagandoos da história. Leonel Brizola era craque nisto: nunca elegeu um sucessor, embora saindo de governos com alto índice de popularidade.
O mesmo aconteceu na sucessão de FHC. Embora desgastado, foi notório que ele preferia transferir a faixa presidencial ao líder operário, mesmo porque estava convencido de que a gestão deste seria um fracasso, favorecendo, quem sabe, a sua volta ao poder. No entanto, mesmo que os líderes o desejem, a transferência de votos nem sempre se dá, ou se dá de forma tão parcial que os herdeiros perdem as eleições.
Ora, o que surpreende nesta campanha eleitoral é a capacidade de transferência de votos de Lula para Dilma. Esta era uma personagem desconhecida em termos eleitorais. Sua vocação era outra: a de servidora pública, empenhada na gestão de empresas estatais ou planos de desenvolvimento.
Assim, quando Lula sacou o seu nome e o apresentou ao distinto público, não faltaram análises de que o homem não queria eleger o sucessor, no caso, sucessora.
Escolhera um nome destinado a uma derrota eleitoral honrosa, evitando sombras em sua popularidade.
Mas não foi isto que aconteceu.
Lula investiu na herdeira, pessoalmente e com a máquina pública. Os resultados não se fizeram esperar e até agora espantam os analistas.
O que dizer destas evidências? Os mais simplórios, como sempre, denunciam sombrias manipulações.
É uma velha cantilena, de direita e de esquerda. Quando o eleitorado não acompanha suas propostas é porque está sendo manipulado. Para a velha UDN, era Vargas o grande manipulador.
Para as esquerdas, depois da ditadura, era a TV Globo que orquestrava as mentes. A conclusão é sempre a mesma: as pessoas não sabem votar.
Multidões passivas, despolitizadas, idiotas! Idiota, no caso, é a interpretação, incapaz de compreender a complexidade do processo histórico.
Uma outra linha interpretativa foi importada de análise feita nos EUA a propósito da eleição de Bill Clinton.
Um gênio teria formulado a frase: é a economia, seu estúpido! Queria dizer com isto que o eleitorado estadunidense estaria votando de acordo com seus interesses econômicos. Como Clinton falou, e muito, do assunto, ganhou as eleições com folga.
Transportada para o Brasil, a tese poderia ser assim traduzida: as classes populares, na grande maioria, estariam votando com o bolso, ou seja, como os governos de Lula as beneficiaram economicamente, elas tenderiam a manter uma fidelidade canina ao benefactor.
A análise não é destituída de fundamento.
Com efeito, os interesses econômicos são um ingrediente importante nas escolhas de qualquer eleitorado. Mas, se o ser humano não vive sem pão, sabe-se também que “nem só de pão vivem os humanos”.
A hipótese que sustento é que a aprovação do governo Lula e a sua inusitada capacidade de transferência de votos residem num processo mais profundo: o acesso progressivo das classes populares à cidadania.
Lula é a expressão maior disso. Ele é visto como o político que promoveu como ninguém este acesso. Isto tem a ver com bens materiais, sem dúvida.
Mas há outros bens, simbólicos, mais importantes que o pão nosso de cada dia. E é isto que as direitas raivosas e as esquerdas radicais não percebem. As pessoas comuns, desde os anos 1980, e cada vez mais, começaram a achar graça nas instituições e nas lutas institucionais. Política, assunto de brancos ricos, começou a ser também de pardos, negros, índios e brancos pobres.
Esta é uma novidade óbvia, senhores e senhoras das elites brancas (a expressão é de Cláudio Lembo, líder conservador). Se Vossas Excelências puserem o ouvido no chão, talvez sejam capazes de ouvir o tropel que se aproxima. Se olharem para o mar, vão ver o tsunami que vem por aí. Na história desta república, só antes de 1964 houve coisa parecida com o que está ocorrendo agora. Entretanto, na época, os movimentos populares queriam muito e muito rápido. Não deu. Veio o golpe, paralisou e reverteu o processo. Agora, não. A multidão come pelas bordas, com paciência e moderação, devagar e sempre, mas a fome destas gentes é insaciável.
Quando as pessoas comuns compreendem os benefícios da democracia, querem para elas também. É raso imaginar que tudo se esgota no pão.
O pão quentinho é gostoso, quem não gosta? É mais do que isto, porém: os comuns querem a cidadania. Plena.
Querem jogar o jogo político como gente grande, como antes só os brancos ricos faziam. Uma grande inversão.
Vai dar? Não vai dar? Veremos. Mas uma coisa é certa: não vai ser tão fácil deter esta onda.


quinta-feira, 26 de agosto de 2010

DEVANEIO nº 20: Se você é, diga que é!

Caros amigos, alguns "Devaneios", migraram por uma causa justa: o contato de um maior numero de pessoa a um assunto que avalio de extrema importancia.
O site "Maringay" publicou na ultima semana um texto meu sobre o Censo 2010 e a questão da homossexualidade.
Leiam e comentem: "Se você é, diga que é!"

domingo, 8 de agosto de 2010

DEVANEIO n° 19: A-prendi / N-a / vid-A

CONTIGO APRENDI
Composição: Armando Nanzarero

Contigo aprendi
Que existem novas dimensões da alegria
Contigo aprendi
A conhecer todas as minhas fanfasias
Aprendi
Que uma semana dura mais de sete dias
Que há coisas lindas que eu ainda não sabia
Felicidade foi contigo que aprendi
A ver a luz na face escura dessa lua
Contigo aprendi
Não há presença que eu trocasse pela tua
Aprendi
Que um beijo pode ser mais doce e mais profundo
Que, se amanhã eu for embora deste mundo
As coisas boas foi contigo que eu vivi
Contigo aprendi
Que eu só nasci no dia em que te conheci

VIDEO / Intrepretação: Gal Costa

sábado, 24 de julho de 2010

DEVANEIO nº 18 - Um olhar sobre Ro Rô – e sobre mim mesma – (4).

Muitas águas rolaram desde o último post.
O semestre acabou! A Disputa Eleitoral começou! A Copa passou! E o Brasil não ganhou!
Nos últimos dias a novela Bruno / Eliza tem tirado a audiência inclusive das já não mais interessantes tramas Globais.
Minha vida certinha e planejada também deu uma bagunçada. Decisões importantes sobre o futuro acadêmico mudaram um pouco o que estava previsto (ao menos em minha mente insana).
Junto disso tudo, nada melhor que o surgir de uma grande paixão para nos fazer sonhar um pouco e suavizar o dia-a-dia.
A concretude de um processo que talvez tenha me percorrido nestes 22 anos, ou então a abstração das cobranças quadradinhas da sociedade, ou ainda um momento (desejo/emoção) para destoar da saturada racionalidade (em preto e branco) que sempre me guiou...
Mas, pelo que tudo indica, não passou de “uma linda experiência” que deixou alguns arranhões no meu “casco ainda fino”.
O que fazer com isso o tempo dirá!
Por enquanto é curtir a ressaca sentimental recordando bons momentos.

O fato é que eu já estava com saudade de “devanear”, e dentre tantas coisas me faltava estímulo.
Isso tudo me recobrou o término de um compromisso já firmado aqui e interrompido. Ainda estou devendo o comentário de 5 discos da Ro Rô.
Nem sei se meus dizeres estimulam aos que lêem (se lêem), porém satisfaz a minhas emoções, pois ouvir estes discos me remetem sempre a uma auto terapia e reflexões internas.
E mais, levando-se em conta que a internet nos proporciona a utopia de falar para o nada ou para muitos ao mesmo tempo, contemplando ambos os anseios de uma vez só, não preciso de terapeuta particular (estes que, a meu ver, são inimigos das paixões, dos desafios e das belezas que só o outro – “o do divã” – pode vivenciar).

Desabafo feito, vamos à Ro Rô.
_____________________________________

PROVA DE AMOR – 1988: coincidentemente é o álbum que traz a trilha sonora que embalou boa parte da “paixonite” (mentira, paixãozona) comentada acima, e talvez o maior sucesso dele.
“Meu benzinho” é um pop blues interpretado com muita singeleza. Propõe companheirismo, compreensão e entrega. Dentre as outras canções é a que mais nos remete à Ro Rô dos primórdios.
Ainda que composto por algumas músicas-protesto como “Photo Kilian” e “Viciado em Regras”, além de outros Rocks e músicas internacionais, sempre presentes nos trabalhos da cantora, penso que no limiar, tivemos a música-título como um segundo sucesso.

- Não está de boa qualidade, mas infelizmente é o único vídeo disponível para "Meu benzinho"
http://www.youtube.com/watch?v=FKOK4wtfeac


NOSSO AMOR AO ARMAGEDON – 1993: Certamente um divisor de águas. Após cinco anos sem gravar, Ro Rô nos abrilhanta com este disco, já em parceria com o maestro Ricardo MacCord, gravado na casa de show carioca Jazzmania.
Com três regravações, o álbum é composto ainda por outras 13 belíssimas inéditas interpretações.
É uma síntese. Blues, Jazz, Bossa Nova...Ângela Ro Rô. Tanto é que desta seleção saíram canções imortalizadas em sua voz e carreira, como: “Quero mais”, “Ne me quitte pas”, “All the way”, “Querem nos matar”, “Joana Francesa” e “Night and days”.
Das releituras do próprio repertório: “Amor, meu grande amor” (1979) e “Fogueira” (1984), esta última que poderia ser a trilha sonora referente à essa minha ressaca...ao pós-tudo.

- Para "Fogueira" já temos mais sorte. Imagens do DVD.
http://www.youtube.com/watch?v=Mbehp4GZOaI

sexta-feira, 2 de abril de 2010

DEVANEIO nº 17 - Edição extra-ordinária (2)


Resolvi dar um pausa nos meus comentários acerca dos discos da Ro Rô, pois senti necessidade de relatar alguns episódios das últimas duas semanas.
Para começar, a tão esperada mesa-redonda com o Ministro Paulo Bernardo e as pesquisadoras Ana Lúcia e Celene que fora boicotada pela chuva que “lavou” Maringá na sexta-feira (26 de março).
E não só isto, além das falas preconceituosas do ministro, por exemplo ao mensionar a pérola “esse povo aí” ao se referir à população menos favorecida, ficou claro que a “inteção branca” da academia ao convocar um debate, não consegue desobscurecer os vultos da política profissional. Mas, justiça seja feita, estamos em ano eleitoral e os discursos estão muito bem blindados e impenetráveis.
E, nesta semana também, A JUSTIÇA FOI FEITA. Salve ao Promotor Francisco Cembranelli que colocou no “xadrez” os assassinos de Isabella Nardoni.
Bom seria se todos os casos neste país fossem bem julgados – quando chegam a ser julgados. E inclui-se aqui os crimes políticos.
E nestes últimos não só corrupção, dinheiro na cueca ou mensalão. Pois, descumprir a legislação e negar direitos de classe também é crime político. Haja visto o que o governo do estado de São Paulo tem feito com seus professores há mais de 15 anos pelo menos.
O Serra, Graças a Deus, teve a “sorte” de pegar o pipino assando em ano eleitoral.
Viva à Dilminha; Viva à Marina Silva; Viva às Mulheres em 2010!
Viva ao Dourado!
Ao Dourado??
Sem entrar no mérito do merecimento e da justiça, neste caso, o que foi este cara com 1 milhão e meio?
Diante de tudo o que o programa (BBB 10) veio disposto a representar, foi nada mais, nada menos que o já anunciado e existente machismo e conservadorismo da emissora e de seus seguidores, se é que estes realmente influenciam no resultado final (ou parcial) do programa.
E, ao falar em programa não poderia deixar de fazer minhas observações sobre o “Emoções Sertanejas” veiculado pela Rede Globo na noite deste 1º de abril. Um comemorativo aos 50 anos de carreira do Rei Roberto Carlos, com cantores sertanejos interpretando suas canções.
Minhas observações vão além do aparente paradoxo dos que não vêem nexo entre o “mundo sertanejo” e o “universo romântico” de Roberto.
Devo dizer que tem tudo a ver!
Até não vi grandes problemas nas interpretações.
Problemático mesmo estava o figurino dos cantores. A breguice excendente da maioria deles era desnecessária e só fez reforçar o preconceito dos que pejorativamente os denomina de “breganejos”.
Se Xororó, Solimões, Sérgio Reis, Bruno e Marrone, Giovani e Cézar Minoti tivessem o bom gosto de Luciano Camargo, Daniel, Gian e Leonardo tudo estaria melhor.
Já das mulheres, poupo comentários. Um horror!
No entanto, a bela interpretação de Martinha para a canção Alô até me fez desconsiderar momentaneamente seu vestido de renda com uma faixa vermelha na cintura.
O que eu não posso desconsiderar é o corte que a Globo fez à própria Martinha, ao Milionário e José Rico e à Nalva Aguiar. Estes sim, junto aos contemplados Almir Sater, Sérgio Reis, Dominguinhos, Tinoco e Chitãozinho e Xororó são os representantes legitimos das verdadeiras “Emoções Sertanejas”.
Se meus queridos Zezé e Luciano, Daniel e Chitão e Xororó tivessem cantado apenas uma vez como os demais, certamente os pioneiros teriam seu merecido espaço garantido e respeitado.
Enfim…

Por fim, não poderia também deixar passar desabercebido o Post da semana feito por meu “amigo do peito, irmão camarada”, Dino (Felipe Fontana) em seu blog ARRAZOAR.
Mais do que comentá-lo preferi “respondê-lo” e dizer que nestes quase quatro anos de amizade o texto publicado por ele foi um dos momentos que mais senti meu amigo perto de mim e que senti mais sinceridade e emoção em suas palavras.
Acho que a nostalgia, “depressão” e saudade antecipada noticiadas por ele não é egoísmo, mas o reconhecimento de que tudo valeu a pena e principalmente de que somos especiais.
Sinal de auto-reconhecimento, por que não? Basta ver a profundidade dos versos do Legião que ele anexou no texto.
Como me “iluminou” uma amiga há poucos dias – talvez seja os dilemas da maturidade chegando. E o medo faz parte.
Só que aos seus versos eu respondo, amigo, que a partir do momento que você “não esquece a riqueza que nós temos” não estará mais tendo que “viver consigo apenas”. Se “ninguém consegue perceber” isto, mas você percebe já é o bastante para “conseguir dormir” com a certeza de que pelo menos de sua parte houve “grande investimento”, como diria uma velha amiga.


Vídeo: A MÚSICA É DEDICADA AO DINO! E as imagens para que vejam um pouco do que tentei descrever do Especial do Rei.



sábado, 13 de março de 2010

DEVANEIO nº 16 - Um olhar sobre Ro Rô (3)

Na verdade, a MPB de Ângela Ro Rô foge ao erudito inatingível de muitos cantores e compositores do gênero.
As letras transformadas em belas canções tratam de temas recorrentes a todos nós.
O grande charme de sua obra é o tratamento angelical – e podem levar em conta o trocadilho – que ela dá às suas emoções. Sem rodeios, nem meias palavras.
Ângela Ro Rô por Ângela Ro Rô – uma tradução dela e de nós mesmos.
A grande novidade dos discos abaixo é a melodia.


A VIDA É MESMO ASSIM – 1984: a canção que abre e dá titulo ao álbum traz belos metais na introdução que dão o tom para uma bela inovação melódica a todo o disco.
Os metais também marcam harmoniosamente as faixas “Sucesso Sexual”, “Librear” e “Nenhum Lugar” que conta ainda com um marcante piano base, que por sinal, acompanha de ponta a ponta todos os discos.
Na faixa “Opus 2” o detalhe é a sutileza de uma guitarra e bateria guia.
As inovações continuam ainda em “Gata, Moleque, Ninfa” em que dois violões dão um toque a mais no arranjo, além de uma deliciosa melodia, talvez latina, em “Isso é para a dor” – violões, castanholas e percussão.
Quanto aos sucessos: A vida é mesmo assim, e Fogueira (regravada inclusive por Maria Bethânia).


EU DESATINO! – 1985: tirando o descompasso do vocal usado em “Eu Desatino”, continuo dando destaque aos arranjos. Faixa a faixa somos surpreendidos pela distinção deles. Principalmente pelas guitarras muito bem postas.
Um álbum, que apesar das letras, se compões de muita alegria e ousadia.
As quatro primeiras músicas, no entanto, são muito marcantes justamente neste tocante. “Blue Janis”, “Isca de Piranha”, “Laura Regina Hilária” e “Nóia”.
Nem um grande sucesso além de Mônica – historia de uma jovem assassinada pelo namorado. História real.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

DEVANEIO nº15 - Um olhar sobre Ro Rô (2)

Volto para continuar minhas observações sobre a obra de Ângela Ro Rô.
A brandura de sua voz até suaviza o conteúdo das canções, que por vezes se revela bem pesado e denso. Isto por que a música, para Ro Rô além de trabalho e dedição ao público, parece ser também uma terapia. Honrosos de nós que somos seu Divã.
ESCÂNDALO – 1981: talvez o primeiro álbum que reflita integralmente a alma e o momento de Ro Rô. O conjunto das canções compõe praticamente um depoimento; uma confissão.
A cada faixa vemos uma avalanche de sentimentos transbordarem. E o momento muito peculiar da vida da cantora nos faz compreender o porquê de tudo.
A musica que dá nome ao disco foi um presente de Caetano Veloso. Dentre as outras, a sensualidade de Na Cama, o insulto “classudo” de Fraca e Abusada e a deliciosa balada romântica Came e Case.
Indicação
Infelizmente há poucos videos com as gravações originais.
Este é mais recente, mas cativa pela interpretação.
http://www.youtube.com/watch?v=GfVEIUtWmqQ

SIMPLES CARINHO – 1982: apesar da regravação título de João Donato e Abel Silva, o ponto alto é a segunda faixa – “Quem me quiser”. Emocionante harmonia entre a voz, o arranjo, a letra e a doação de Ro Rô ao interpretá-la.
Destaques ainda para “Demais” que lhe rendeu comparações com a cantora e compositora Maysa; além de “Querem nos Matar”, fantástica música protesto.
Até mais...